Simulação de consórcio para o cliente: passo a passo
Por Equipe AutosRA · Publicado em 30/10/2026 · Revisado em 30/10/2026
Para simular um consórcio, peça o bem, o valor da carta e o prazo, lance as taxas da tabela da administradora, calcule a parcela, mostre o total pago e explique que a contemplação é por sorteio ou lance e não é garantida. Depois, envie a simulação por escrito e marque o retorno.
O que a simulação precisa mostrar ao cliente?
A simulação de consórcio mostra quanto o cliente paga por mês, quanto paga no total e o que recebe: a carta de crédito, o valor liberado ao consorciado contemplado para comprar o bem. Ela não mostra quando a contemplação vai acontecer, porque isso depende de sorteio ou lance.
Por isso, a simulação boa tem quatro números e uma frase: valor da carta, prazo em meses, parcela e total pago, mais a frase “a contemplação é por sorteio ou lance e não tem data garantida”. Quem esconde a frase vende uma expectativa que o contrato não sustenta, e o cliente volta irritado na primeira assembleia.
Quais dados pedir ao cliente antes de simular?
Antes de abrir a tabela, faça cinco perguntas: qual bem (carro, moto, imóvel), qual valor de carta ele precisa, quanto consegue pagar por mês sem apertar, se tem dinheiro para dar um lance e se precisa do bem agora ou pode esperar. A última pergunta define se consórcio é a oferta certa.
Anote as respostas. Um cliente que diz “preciso do carro este mês” não combina com uma proposta cuja contemplação depende de assembleia. Nesse caso, diga que o consórcio provavelmente não resolve a urgência e, se fizer sentido, apresente-o como planejamento para a próxima troca.
Como fazer a simulação de consórcio, passo a passo?
A conta usa sempre a tabela da administradora do grupo: prazo, taxa de administração, fundo de reserva (quando existir) e demais valores do contrato. A prestação é a soma da parcela do fundo comum, da taxa de administração e das outras obrigações previstas no contrato (Lei 11.795/2008, art. 27).
Para explicar cada cobrança ao cliente, veja o guia sobre taxa de administração e fundo de reserva.
1. Escolha o grupo e o plano na tabela da administradora, conforme o bem e o valor da carta.
2. Anote o prazo em meses.
3. Anote a taxa de administração e o fundo de reserva do plano, em percentual.
4. Divida o valor da carta pelo prazo: é a parcela do fundo comum.
5. Calcule a taxa de administração e o fundo de reserva sobre o valor da carta e divida cada um pelo prazo.
6. Some as três partes e acrescente seguro e outros itens que o plano cobrar.
7. Multiplique a parcela pelo prazo para ter o total pago e avise que a parcela pode ser reajustada, conforme o contrato.
Exemplo, só para ilustrar a conta: carta de 80 mil reais, 80 meses, taxa de administração de 18% e fundo de reserva de 2%. Fundo comum: 80.000 ÷ 80 = 1.000 reais. Taxa de administração: 14.400 ÷ 80 = 180 reais. Fundo de reserva: 1.600 ÷ 80 = 20 reais. Parcela: 1.200 reais; total de 96.000 reais, antes de seguro e reajuste. Esses percentuais são inventados para o exemplo; use sempre os do plano real.
Como simular com lance sem prometer contemplação?
Lance é a oferta de recursos para disputar a contemplação; a contemplação ocorre por sorteio ou lance, na forma do contrato (Lei 11.795/2008, art. 22, § 1º). Simular com lance é mostrar quanto o cliente teria de separar, nunca dizer que o lance vence.
Faça duas simulações lado a lado: sem lance e com o lance que o cliente diz poder dar (ex.: 20% da carta, 16 mil reais no exemplo acima). Diga: “o lance só vale se for o vencedor da assembleia; se não for, ele não garante a contemplação”. As regras de cada tipo estão no guia sobre lance livre, fixo e embutido.
O que dizer sobre contemplação, reajuste e saída do grupo?
Diga três coisas: a contemplação é por sorteio ou lance e depende de o grupo ter recursos suficientes (Lei 11.795/2008, arts. 22 e 23); a parcela pode mudar conforme o contrato; e quem sai do grupo sem ser contemplado tem direito à restituição do que pagou ao fundo comum, nas condições da lei e do contrato (art. 30), não na hora.
Se o cliente perguntar “quando eu sou contemplado?”, a resposta honesta é “não sei, e ninguém sabe; posso mostrar como funcionam o sorteio e o lance”. Essa resposta pode custar uma venda hoje, mas evita um cancelamento e uma reclamação depois.
Como enviar a simulação e não perder o cliente depois?
A simulação só vale se o cliente a leva consigo e você marca o retorno. Envie por escrito logo depois da conversa e combine o dia em que vai perguntar o que ele decidiu. Modelo de mensagem de WhatsApp: “Oi, [nome]. Segue a simulação que fizemos: carta de [valor], [prazo] meses, parcela de [valor], total de [valor]. A contemplação é por sorteio ou lance e não tem data garantida. Posso te ligar [dia] às [hora] para tirar dúvidas?”
Na planilha, o retorno costuma ser esquecido na segunda semana. No CRM, a simulação com a tabela da administradora busca o plano por parcela ou crédito, o plano escolhido vai para o card do cliente e a próxima ação com data dispara o alerta de retorno. Quem prefere continuar na planilha precisa de uma coluna “próxima ação” com data e de uma rotina diária para olhá-la.
Fontes
- Lei 11.795/2008 (Sistema de Consórcios), texto compilado, arts. 22, 23, 27 e 30, consultada em 30/10/2026: a contemplação ocorre por sorteio ou lance, na forma do contrato, e depende de recursos suficientes no grupo (arts. 22 e 23); a prestação soma fundo comum, taxa de administração e demais valores do contrato (art. 27); o excluído não contemplado tem direito à restituição do que pagou ao fundo comum (art. 30)